Sim, Antígua e Barbuda quer tornar-se um destino de referência para o turismo canábico. A proposta partiu do Alto Sacerdote Selah, líder da Ordem Nyabinghi no país, que defende que o clima tropical, a natureza e a herança Rastafari da nação podem dar origem a um produto turístico único. Porque é que isto importa? Porque o país já tem um quadro legal para a canábis desde 2018 e procura agora transformá-lo em oportunidades económicas e sociais concretas. Para quem acompanha a evolução da canábis nas Caraíbas, é um sinal claro: o debate saiu da fase do "legalizar ou não" e entrou na fase do "como aproveitar".
Da legalização ao turismo: o novo debate em Antígua e Barbuda
Antígua e Barbuda é uma nação independente formada por duas ilhas nas Caraíbas. Já é um destino turístico internacional de primeira linha, conhecido pelas suas 365 praias, pelos festivais, pela vela de nível mundial, pela gastronomia e pela cultura. A ambição agora é acrescentar uma nova camada a esta oferta: o turismo canábico, ou seja, viagens motivadas total ou parcialmente pela experiência, cultura ou conhecimento associados à canábis.
Segundo a ZIZ Broadcasting, o setor canábico do país está a avançar para além da discussão inicial sobre legalização e cultivo. A atenção centra-se agora em três frentes: turismo, educação pública e a capacidade de converter o enquadramento regulatório existente em ganhos económicos e sociais mais amplos.
A proposta turística foi apresentada por Conneal Christian, conhecido como Alto Sacerdote Selah. Lidera a Ordem Nyabinghi de Antígua, uma das mais antigas e tradicionais correntes do movimento Rastafari, uma tradição espiritual nascida na Jamaica nos anos 1930 que encara a canábis como um sacramento. O seu argumento é simples: poucos destinos juntam clima ideal, ambiente natural preservado e uma ligação cultural autêntica à planta. Autenticidade vende. E não se fabrica.
A Lei da Canábis de 2018 e a sua evolução
A base legal de toda esta ambição é a Cannabis Act de 2018, a lei que estabeleceu as regras de controlo da canábis em Antígua e Barbuda. O diploma regulamentou o uso religioso da planta por membros documentados de organizações religiosas registadas, com o objetivo de proteger os direitos constitucionais dos cidadãos. Regulamentou também o uso medicinal e científico da canábis no território.
A mesma lei criou a Autoridade de Canábis Medicinal de Antígua e Barbuda (Antigua and Barbuda Medicinal Cannabis Authority), a entidade pública responsável por supervisionar o setor, emitir licenças e registar pacientes.
O quadro não ficou parado no tempo. Foram aprovadas emendas em 2021 e em 2022, que modernizaram a legislação e as regras aplicáveis à indústria. Este ponto é decisivo para a conversa sobre turismo: um país com regras revistas e uma autoridade em funcionamento parte com vantagem sobre destinos que ainda estão a discutir o básico.
Importa sublinhar o que a lei abrange e o que não abrange. A Cannabis Act centra-se nos usos religioso, medicinal e científico. Um produto de turismo canábico estruturado exigirá, muito provavelmente, mais desenvolvimento regulatório para definir o que os visitantes podem ou não fazer.
Os números do setor canábico de Antígua e Barbuda
Os dados ajudam a perceber a escala do que já existe. De acordo com o site da Autoridade de Canábis Medicinal, o país conta com mais de 5.000 pacientes de canábis medicinal registados e dois dispensários licenciados. Um dispensário é um estabelecimento autorizado a vender canábis a pacientes ou utilizadores legalmente habilitados.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| População aproximada | 95.000 habitantes |
| Pacientes de canábis medicinal registados | Mais de 5.000 |
| Proporção aproximada de pacientes na população | Mais de 5% |
| Dispensários licenciados | 2 |
| Lei base | Cannabis Act (2018) |
| Emendas aprovadas | 2021 e 2022 |
| Mercado global de turismo canábico projetado para 2030 | 23,7 mil milhões de dólares (Grand View Research) |
A leitura é clara. Mais de um em cada vinte habitantes está registado como paciente, o que revela uma aceitação social significativa. Por outro lado, apenas dois dispensários servem esse universo, o que mostra que a infraestrutura ainda é reduzida. Se o mercado global de turismo canábico atingir os 23,7 mil milhões de dólares projetados pela Grand View Research até 2030, uma fatia modesta já faria diferença numa economia deste tamanho.
O que está em jogo para o país e para os growers
Para Antígua e Barbuda, o turismo canábico poderia diversificar uma economia já muito dependente do turismo tradicional. Em vez de competir apenas com praias e resorts, o país passaria a oferecer algo que muitos destinos não conseguem copiar: uma relação cultural com a planta, enraizada na comunidade Rastafari.
A educação pública é a outra peça do puzzle. Sem informação clara sobre a lei, sobre o uso responsável e sobre os limites legais, nenhum produto turístico se aguenta. Residentes e visitantes precisam de saber exatamente o que é permitido.
Para nós, growers, há uma lição que vale para qualquer mercado: a qualidade e a autenticidade fazem a diferença. Um destino que aposta na herança cultural e no conhecimento real da planta, e não apenas no marketing, tem mais hipóteses de construir algo sustentável. A média é o nosso inimigo. Também aqui.
Uma nota de prudência para quem planeia viajar: enquanto o enquadramento para turistas não estiver definido, as regras atuais aplicam-se. Confirmem sempre a legislação em vigor antes de partir.
Perguntas frequentes
A canábis é legal para turistas em Antígua e Barbuda?
A Cannabis Act de 2018 regulamenta sobretudo os usos religioso, medicinal e científico da canábis. Existe uma proposta para desenvolver o turismo canábico, mas um quadro específico para visitantes ainda não está definido. Antes de viajar, convém confirmar sempre a legislação em vigor junto das autoridades oficiais do país.
Quem propôs o turismo canábico em Antígua e Barbuda?
A proposta partiu do Alto Sacerdote Selah, nome pelo qual é conhecido Conneal Christian, líder da Ordem Nyabinghi em Antígua. Defende que o clima tropical, o ambiente natural e a herança Rastafari do país constituem vantagens reais para criar um produto turístico canábico distinto dos restantes destinos.
Que entidade regula a canábis em Antígua e Barbuda?
O setor é supervisionado pela Autoridade de Canábis Medicinal de Antígua e Barbuda, criada pela Cannabis Act de 2018. Esta entidade é responsável por licenciar operadores e registar pacientes. A legislação que enquadra o seu trabalho foi atualizada através de emendas aprovadas em 2021 e em 2022.
Quantos pacientes de canábis medicinal existem no país?
Segundo a Autoridade de Canábis Medicinal, existem mais de 5.000 pacientes registados, num país com cerca de 95.000 habitantes. Isto significa que mais de 5% da população está registada para uso medicinal. Para os servir, existem atualmente apenas dois dispensários licenciados em todo o território nacional.
Qual é o valor projetado do mercado global de turismo canábico?
Os analistas da Grand View Research estimam que o setor global de turismo canábico possa atingir cerca de 23,7 mil milhões de dólares até 2030. É este potencial de crescimento que leva destinos como Antígua e Barbuda a ponderar a criação de ofertas turísticas ligadas à cultura da canábis.
Fontes
- ZIZ Online – serviço informativo da ZIZ Broadcasting, ZIZ Broadcasting Corporation, 2025-01-01




