Sim, o THC degrada-se. À temperatura ambiente perde potência com o tempo e transforma-se em CBN. O CBD aguenta-se muito melhor e mantém-se estável a longo prazo, mesmo fora do frigorífico. É esta a principal conclusão de um estudo de investigadores dos Estados Unidos e do Egito, publicado na revista Cannabis and Cannabinoid Research. Com a abertura de mercados legais e o aumento das importações e exportações, os produtos de canábis passam cada vez mais tempo em armazém e em trânsito, e a forma de os conservar pesa diretamente na sua qualidade. No mediocre!
O que avaliou o estudo sobre estabilidade dos canabinoides
Os canabinoides são os compostos químicos da planta de canábis responsáveis pelos seus efeitos. Os mais conhecidos são o THC (Δ9-tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo, e o CBD (canabidiol), que não é intoxicante. Segundo os autores, a estabilidade química destes compostos é decisiva para o controlo de qualidade, para a eficácia terapêutica e para o cumprimento das regras legais.
A equipa testou material vegetal, extratos, formulações em óleo e isolados (produtos com um único canabinoide purificado), com três perfis de extrato:
- rico em THC;
- rico em CBD;
- equilibrado, com proporções iguais de THC e CBD.
As amostras ficaram guardadas durante longos períodos em três ambientes controlados: temperatura ambiente, refrigeração e congelação a -20 °C. Os resultados dependeram do perfil de canabinoides, da temperatura e da matriz, ou seja, do meio físico em que o canabinoide se encontra, como a flor, o óleo ou uma solução.
THC versus CBD: como conservar cada tipo de produto
Na maioria dos produtos, a temperatura ambiente acelerou a conversão do THC em CBN (canabinol), um canabinoide que resulta da degradação do THC e tem uma atividade psicoativa muito mais fraca. Já o armazenamento a -20 °C preservou os canabinoides durante todo o período de teste.
| Tipo de produto | À temperatura ambiente | Armazenamento recomendado |
|---|---|---|
| Dominante em CBD | Mantém-se estável a longo prazo | Pode ficar à temperatura ambiente |
| Rico em THC | Muito suscetível à degradação em CBN | Cadeia de frio, de preferência a -20 °C |
| THC em solução etanólica | Também se degrada | Congelador a -20 °C (a maior estabilidade observada) |
Numa solução etanólica, os canabinoides estão dissolvidos em etanol. A cadeia de frio consiste em manter temperaturas baixas sem interrupção desde a produção até ao consumidor. Os investigadores concluem que a temperatura de armazenamento tem de ser adequada à composição do produto.
Perguntas frequentes
Porque é que o THC perde potência quando fica guardado à temperatura ambiente?
À temperatura ambiente, o THC degrada-se aos poucos e converte-se em canabinol (CBN), um composto com efeito psicoativo bastante mais fraco. Quanto mais tempo o produto passa nestas condições, mais potência perde. Por isso, os extratos e óleos ricos em THC beneficiam de frio constante.
Os óleos de CBD precisam de ir para o frigorífico?
Não necessariamente. Segundo a investigação publicada na revista Cannabis and Cannabinoid Research, os produtos compostos apenas por CBD mantêm-se estáveis a longo prazo à temperatura ambiente. Continua a ser boa prática guardá-los num local fresco, mas o CBD tolera a temperatura ambiente muito melhor do que o THC.
Qual é a melhor temperatura para guardar produtos ricos em THC?
Os investigadores recomendam o congelador, a -20 °C, para manter a potência a longo prazo. A maior estabilidade registou-se no THC dissolvido em etanol e congelado. Nos produtos ricos em THC, a cadeia de frio deve ser contínua, sem longos períodos à temperatura ambiente durante o armazenamento ou o transporte.
Que tipos de produtos de canábis foram analisados neste estudo?
O estudo analisou material vegetal, extratos, formulações em óleo e isolados de CBD e de Δ9-THC, em três perfis: rico em THC, rico em CBD e equilibrado, com partes iguais dos dois. As amostras ficaram guardadas durante longos períodos à temperatura ambiente, no frigorífico e congeladas a -20 °C.




